Ressaca: do luto à aposentadoria...

O silêncio foi meu refúgio nestes dias longos de luto e de ressentimentos vários. De perseguições e da busca do Direito: agora o da aposentadoria. Quero me despedir de um cargo do Estado, quero cumprir outros rituais, rezar em outras cartilhas. Mas o tempo dos homens é cruel e aguardo  apática o desenrolar deste enredo.
Luto, vários, vou carregando no corpo  fragilizado, mas vou levando com a ajuda de pessoas maravilhosas que me cercam e me amam. 

Resolvi abrir uma página, uma brecha nesta noite escura para relatar os fatos que vi e presenciei nos últimos tempos no meu país: vi o fogo varrendo o Brasil, como se todas as comportas de Pandora estivessem sido abertas e dela saíssem todos os demônios, anjos e arcanjos de sua caixa guardados há séculos.

Vi o povo na rua e ouvi seu grito e lamento. Teve até o dia "D", numa quinta feira em que cem cidades levantaram-se como uma avalanche, um tsunami. E o país foi varrido com fogo, suor, bombas e sangue.

De minha janela visualizei a muralha humana marchando pelo país, maior que a Muralha da China. Compactada, silente como uma montanha, no meio do fogo, da fumaça, da violência....Medo? Não vi em nenhum canto. E era um canto e um desencanto ao mesmo tempo.

De minha janela fui fazendo a leitura, porque o povo nunca está só, há sempre líderes infiltrados no meio deles. Ninguém dirá a esta professora calejada pela história que foi um movimento expontâneo. Não. Ele nasceu no meio urbano, no seio da classe média e depois foi alcançando o Brasil .
Os partidos todos se encolheram, os sindicatos, as Centrais e os movimentos dito"organizados". A trajetória da marcha era conduzida por variadas vozes e interesses vários.

Me perguntei algumas vezes quem venceria as disputas políticas provocadas pela avalanche humana: teve momentos em que se perdeu no clamor dos excessos, quase tornou-se fascista, noutras mostrou-se consciente da miserabilidade das instituições do Brasil. Os dias mais loucos dos últimos 30 anos estão devidamente pacificados e, claro, devidamente controlados pelas elites, que rapidamente se reorganizaram, cedendo um pouco aqui e ali e manipulando o povo, inclusive, causando grandes prejuízos na economia com a paralisação dos caminhoneiros controladas por empresários, ansiosos para  quebrar definitivamente as forças da esquerda  e desmoralizar o governo Dilma. 

Da minha janela mineira assisti o desastre das instituições locais, inclusive do sindicato que diz nos representar. Nem nestes tempos de fúria  e fogo souberam tirar proveito; ou melhor dizendo, não quiseram, ou não tiveram competência. Sempre disse desta turma aí: Não representam ninguém, a não ser eles mesmos e seus interesses politiqueiros. Várias vozes no meio da classe de professores conseguiram visualizar isto claramente e já escreveram sobre o tema.

Esperanças? Para mim... ainda estão guardadas no fundo da caixa de Pandora, como no mito.

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Professora de história, pós - graduada em história geral pela UFMG e em Novas Tecnologias na educação pela UNIMONTES.

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14:09 29/07/20103