GREVE NA EDUCAÇÃO EM MINAS GERAIS

Desabafo de uma educadora mineira para alunos, pais e autoridades políticas


ESTAMOS EM GREVE mais uma vez em Minas Gerais por tempo indeterminado, pois recebemos salários abaixo dos demais profissionais do país e existe a lei 11.738/08 que garante o piso salarial profissional nacional (PSPN) para todos os trabalhadores em educação, já aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo governo Lula e, pasmem, não cumprida em Minas Gerais.
Parece brincadeira, trabalhamos como uns condenados para trazer excelentes resultados para o Estado nas inúmeras provas a que somos subm
etidos (nós e os alunos) Prova Brasil, Simave, etc., e pra provar o quê? Pesquisas recentes indicam: não servem para nada, ou seja, são justificativas políticas destes demagogos para engordar suas falsas estatísticas de progresso e sucesso educacional. Enquanto isso milhões são gastos para elaboração e confecção dessas ditas provas, quando poderiam ser de fato aproveitados na melhoria da educação no Brasil.
Além das avaliações sistêmicas (essas acima citadas) somos submetidos às avaliações de desempenho individual, realizadas por meia dúzia de profissionais medíocres, a serviço do governo de Min
as que nos torturam durante o ano inteiro, levando inúmeros colegas a vários tipos de doenças psicossomáticas, vítimas dessa engrenagem medieval.
Medieval sim, porque super hierarquizada, estanque, excludente... Medieval esse governo em todas as suas formas arcaicas e sua prática, não condizentes em nada com a Nova Mentalidade Tecnológica, que propõe novas formas de convivência e de trabalho.
Ah mineiros, e isso não é tudo, o governo de Minas inventou uma maneira nova de nos torturar, resgatando um antiquado verbete da lei, o chamado módulo II: somos obrigados a sair de casa fora do horário de trabalho para não fazer absolutamente nada na escola, a não s
er submeter-nos a novas torturas que nos remete aos tempos da inquisição: presos na escola sem os alunos, torturados e sugestionados a não questionar o sistema, sendo obrigados a ouvir frases dos tempos da ditadura: "ame-o ou deixe-o”, se referindo a nossa permanência ou não na educação. E o responsável mais uma vez pela nova prática de tortura: o governador Aécio Neves que deveria escrever um livro: “Como torturar funcionários em tempos pós-modernos”. E para piorar o cenário, o mesmo é candidato ao SENADO e com pretensões de fazer seu sucessor no estado: um fantasma inexpressivo chamado Antônio Anastasia. Alguém conhece???
Conclamo aos mineiros nesse blog, criado por uma professora do norte de Minas, que ama seus alunos e a educação: salve-nos dos grilhões dessa gente primitiva; REJEITEM o nome de AÉCIO e ANASTASIA nestas eleições que se aproximam, pensem em seus filhos que estão sendo educadas em escolas precárias, por professores torturados, vítimas
da desvalorização e da pobreza por culpa desses canalhas.
Por fim, apelo agora para o presidente Lula e o Supremo tribunal federal: Por que a
LEI NÃO É CUMPRIDA EM MINAS? "Salvem a democracia, mas principalmente façam valer o legítimo direito dos professores mineiros"!



6 comentários:

  1. Cida Araújo disse...:

    Marly,

    O seu texto é inquietante!
    E verdadeiro em todos os sentidos.
    Estamos realmente, vivendo a era medieval na educação mineira e creio que vamos retroceder mais ainda: chegaremos à pré-história, já que os nossos governantes revelam-se como verdadeiros trogloditas, totalmente sem escrúpulos, agindo de maneira inconsequente e vergonhosa.
    E é uma pena que muitos que estão ao nosso lado, na batalha diária, talvez dominados por sentimentos mesquinhos, estejam fortalecendo ainda mais esses grandes vilões que nos oprimem roubando-nos o que temos de melhor: a nossa juventude,o nosso ânimo e até a nossa alegria.
    Uma coisa é certa: estão sugando dos professores, de maneira proposital e muito bem pensada, aquela mesma seiva que tempos atrás jorrou junto com o sangue dos grande homens que mudaram os rumos da história mineira. A seiva que fortalece aqueles que se armam nas frentes de batalha: a determinação.
    Desculpe-me, amiga, mas como eu disse antes, o seu texto é inquietante.
    Beijos.

  1. Marly Gribel disse...:

    Caríssima amiga, vc é uma grande educadora e uma pessoa a serviço do
    bem e da humanidade e percebo que sente como eu o mesmo desencato
    pelos políticos e pelos rumos que tem sido dado a educação no país: um
    desrespeito, uma afronta aos ideais do iluminismo: racionalidade,
    verdade e liberdade em todos os sentidos. Minha vontade é deixar o
    país e me refugiar na Islândia, próximo ao vulção, que tenho certeza,
    é mais inofensivo que certos políticos: Aécio, Anastasia, Gil Pereira,
    Carlos Pimenta, Ana Maria, demagogos a serviço do mal.

  1. Marly,
    É muito bom ver que ainda existem pessoas com paixão pela justiça e pela verdade. O que está faltando para que o país cresça socialmente é justamente isso: pessoas que conhecem e amam seus direitos, e que lutam por eles.
    É essa a diferença entre nós, moradores de países de terceiro mundo, e aqueles que vivem nas grandes potências desenvolvidas.

  1. Marly Gribel disse...:

    É verdade Ana, é preciso ter paixão pela verdade e buscá-la incessantemente, para isso precisamos denunciar sempre estes políticos demagogos que utilizam de propaganga falsa para enganar os mais desavisados, mas é nosso dever, enquanto cidadãos, combater toda forma de corrupção e denunciar políticos corruptos como estes que têm destruído o nosso país, e entre eles: o demagogo AÉCIO e seu comparsa: ANASTASIA.

  1. Daniel Ruas disse...:

    É isso aí Marly nós educadores temos que sair em defesa de nossos direitos, principalmente nós de História, não podemos dar vexame senão fica até difícil falar para nossos alunos sobre as Revoluções, se nós não somos capazes de também levantarmos nossas bandeiras de luta.
    "QUEM NÃO LUTA POR SEUS DIREITOS NÃO É DIGNO DELES". A GREVE CONTINUA ANASTASIA A CULPA É SUA!!!!

  1. Anônimo disse...:

    E imprescindivel expor a toda sociedade deste estado de minas gerais, no qual tem o seu passado de tantas lutas, em busca de uma nacao mais justa e humana, a vergonha como a educacao deste estado se encontra!!!Educadores: mobilizemos, o momento e agora de lutarmos por mais dignidade, mais qualidade no trabalho, e mais: por um salario mais dignificante!!

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Professora de história, pós - graduada em história geral pela UFMG e em Novas Tecnologias na educação pela UNIMONTES.

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