Independência do Brasil à mineira:
LIBERTAS QUAE SERA TAMEN


Uma reflexão baseada no mito grego: A caixa de Pandora







A independência do Brasil ocorrido em sete de setembro de 1822 antes de nos libertar, amarrou-nos nas armadilhas de duas classes sociais antagônicas e excludentes: a aristocracia portuguesa e a aristocracia nativa. Mesclada nos interesses destas duas classes dominantes emergimos como nação “livre”.
As instituições políticas brasileiras em 1822, independentes do laço colonial português nascem marcadas com o selo da segregação e exclusão social. As maldições instituídas por Zeus (deus grego) contidas na caixa matrimonial de Pandora para castigar os mortais são libertos no nascedouro da “livre” nação brasileira e de resto passamos a conviver com todo tipo de males e sofrimentos (exclusão, miséria, tristeza, abandono e morte). E ironicamente, a mesma elite nativa que consagrou o monarca em 1822 o destitui de poder em 1889 quando da Proclamação da República, sem alterar uma vírgula no seu status quo, indiferentes à segregação social que havia condenado a grande maioria da nação.
Nessa linha de reflexão, a política do Brasil, desde os primórdios sempre esteve voltada para os interesses das minorias e isso se propaga de forma contínua e ininterrupta da independência a proclamação da República. E nos últimos tempos, ao término do regime militar, com a chamada abertura democrática, passamos a conviver, também de forma contínua com toda ordem de denúncias de corrupção e improbidade administrativa, inclusive com um impeachment de um presidente ( Collor de Melo em 1992). Corrupção sempre presente na vida política nacional, mas encobertos pelos mecanismos de repressão que sempre foram muito eficientes no Brasil.
Apesar das crescentes denúncias e mesmo de algumas punições (poucas, diga-se de passagem) percebemos que avançamos muito lentamente em direção a dita independência, permanece aqui um atraso em relação a vários avanços da humanidade em termos de democracia e probidade administrativa, um retrocesso em relação às conquistas no mundo das idéias: ética, liberdade, igualdade e justiça social, um insulto aos ideais de amor e fraternidade pregados pelos grandes esotéricos: Jesus, Gandhi, Zoroastro, enfim, os grandes que passaram pela humanidade e deixaram exemplos e ideais para serem vividos por todos. Mas, o Brasil permanece nos seus eternos vícios, desde a chegada dos portugueses abriu-se essa caixa de desgraças e temos assistido ao espetáculo de absurdos que tem sido a história política desse país, que nunca conseguiu resolver os problemas mínimos de sua população, como uma melhor distribuição de renda e integração de sua população negra, indígena e mestiça no contexto de seu próprio país. São séculos de exclusão, desemprego, subemprego e abandono. Quadro que infelizmente temos assistido meio perplexos, meio impotentes, a única saída que nos resta nessa caixa de desespero é a expressão do nosso voto, a esperança, que retomando ao mito grego, Pandora por sorte conseguiu reter na caixa.
Pior espetáculo tem sido o comportamento da população que conseguiu compactuar com este estado de coisa, quando confirma o discurso que roubar, trapacear é perfeitamente natural no mundo da política ou se recusa até mesmo o direito do voto. Esqueceram a lição da Grécia: no fundo há esperança. Não votar, não participar, compactuar com determinados discursos elaborados pela elite, anula esse anelo de liberdade, da possibilidade de escolha, da vontade de cada um em favor do todo, em favor dos oprimidos, dos pobres, dos perseguidos, dos mansos, aqueles mesmos que Jesus proclamou eleitos há 2.000 anos atrás e que todos os políticos no calor do debate eleitoreiro proclamam também como seus.
Não votar, ou votar por votar, sem buscar o passado do candidato, sem avaliar erros e biografias, contribuímos mais e mais para a abertura do fosso que divide o mundo em ricos e pobres, avançados e atrasados e nos confina a situação periférica que nos encontramos hoje.
É possível um Brasil melhor? A doidivanas esperança diz que sim, malgrado todos os acontecimentos antigos e recentes, conseguimos eleger um presidente oriundo de um extrato social popular que nunca até então havia participado efetivamente da política nacional. E o mesmo foi eleito e reeleito sustentado numa base popular. É verdade que ele tem se adaptado as nuances do poder político tradicional, aliando-se a segmentos vários para se manter no poder e distanciando cada vez mais do sonho inconsciente da nação brasileira do “pai dos pobres” ou “Salvador da Pátria”; o que é perfeitamente natural em uma nação órfã, que até então só havia conhecido os horrores da caixa de Pandora.
Enfim, existe uma receita para o sucesso? Para a independência? SIM, uma receita bem à mineira: Libertas Quae Sera Tamen (liberdade ainda que tarde) lema dos inconfidentes, que dorme imortal na bandeira de Minas, pronto para ser desperto um dia pela nação inteira:

LIBERTAS QUAE SERA TAMEN

Marly Gribel Gomes
ATIVIDADE AVALIATIVA
1) Qual é a idéia central do texto
2) Considerando o processo de independência do Brasil até a proclamação da República, é possível afirmar que houve uma efetiva emancipação popular no Brasil do séculoXIX? Escreva um texto expondo argumentos que justifiquem sua resposta e explicando o que seria uma "emancipação popular"( pesquise o sentido do termo emancipação).

1 comentários:

  1. kaique disse...:

    Respostas

    01-Informar o que foi a Independencia do Brasil,e como foi !

    02-Sim,é possivel afirmar que houve uma emancipação no Brasil no seculo 19.
    Na minha opinião ocorreu a emancipação quando todos passaram a ter o direito de escolher e votar !
    A emancipação para mim é o amadurecimento sa sociedade,o maior entendimento das coisas e quando passam a ter os seus proprios direitos .

    beijos !

Postar um comentário

Quem sou eu

Minha foto
Professora de história, pós - graduada em história geral pela UFMG e em Novas Tecnologias na educação pela UNIMONTES.

Seguidores

Pesquisa

14:09 29/07/20103